Polícia

Acusado de matar professora com 37 facadas vai a júri popular após mais de oito anos do crime

Ministério Público sustenta denúncia por homicídio triplamente qualificado e feminicídio; Alagoas registrou aumento de 36,3% nos feminicídios em 2025

Por Thayanne Magalhães 29/07/2026 09h06
Acusado de matar professora com 37 facadas vai a júri popular após mais de oito anos do crime
A professora Cenira Angélica Ventura da Silva, tinha 39 anos quando foi assassinada - Foto: Reprodução

O Tribunal do Júri da Comarca de Viçosa realiza, nesta quarta-feira (29), o julgamento de José Ricardo dos Santos, acusado de matar a professora Cenira Angélica Ventura da Silva, de 39 anos. O crime ocorreu em março de 2018 e teve grande repercussão em Alagoas pela violência empregada contra a vítima.

A sessão está prevista para começar às 8h, no Fórum Desembargador Oscar Tenório, no Centro de Viçosa. A acusação será sustentada pelo promotor de Justiça Gustavo Arns, do Ministério Público de Alagoas (MPAL).

De acordo com a denúncia, a professora foi agredida inicialmente dentro da residência onde vivia com o então companheiro. Na tentativa de escapar, ela correu para a rua, mas foi perseguida pelo acusado, que desferiu 37 golpes de faca em via pública.

O MPAL denuncia José Ricardo dos Santos por homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo fútil, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio, por se tratar de um crime praticado em contexto de violência doméstica e familiar.

Após o assassinato, o acusado fugiu e permaneceu foragido por mais de cinco anos. Ele foi localizado e preso em dezembro de 2023, no estado de Mato Grosso, onde segue à disposição da Justiça.

Durante o julgamento, sete jurados serão responsáveis por analisar as provas apresentadas pela acusação e pela defesa para decidir pela condenação ou absolvição do réu.

Feminicídios cresceram em Alagoas


O julgamento ocorre em um momento de alta nos indicadores de violência contra a mulher no estado. De acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, Alagoas registrou 30 feminicídios em 2025, um aumento de 36,3% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 22 vítimas. A taxa passou de 1,3 para 1,8 feminicídio por 100 mil mulheres, ficando acima da média nacional.

O levantamento também aponta crescimento das tentativas de feminicídio, que passaram de 71 para 73 casos, além do aumento de registros de violência psicológica, perseguição (stalking), ameaças e lesões corporais em contexto de violência doméstica.

Dados históricos reunidos pela Secretaria de Estado da Saúde, com base em registros oficiais e no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, mostram que 131 mulheres foram vítimas de feminicídio em Alagoas entre 2020 e 2024, reforçando a persistência da violência de gênero no estado.